Pular para o conteúdo principal

Limpando os oceanos com jeans

"Limpar os oceanos com jeans" parece uma daquelas frases sem sentido que ouvimos por aí, como os títulos dos livros de David Sedaris ("Explorando a Diabetes com Corujas", "Vista a sua família de veludo e jeans", dentre outros) mas, por mais incrível que possa parecer, é uma realidade já possível nos dias atuais.

Esta nova tecnologia é resultado de um dos encontros do grupo Parley for the Oceans, uma espécie de Think Tank (já falei sobre Think Tanks aqui no blog, lembra?) com a participação de cientistas, designers, artistas e marcas que conversam e discutem formas de limpar os oceanos do excesso de lixo, sobretudo plásticos descartados sem critérios e que demoram séculos para desintegrar completamente. Em um dos encontros, uma das principais ideias foi a de buscar maneiras de tirar estes plásticos dos oceanos e reusá-los de alguma forma.

A G Star, super ligada em tecnologia, e o artista super hype e queridinho do mundo da moda Pharrell Williams resolveram se juntar e ajudar a Bionic Yarn a desenvolver um fio que pudesse usar este plástico num dos produtos mais consumidos (e mais poluentes) do mundo da moda: o jeans. E esta parceria já está dando resultados!

Pharell Williams apresentando o projeto


A Bionic Yarn conseguiu desenvolver a tecnologia necessária para transformar o plástico coletado nos oceanos em novos fios. E o que é melhor: ele pode ser usado para diversos produtos: peças de moda, como jeans, uniformes de trabalho, roupas de praia, o que a imaginação permitir.

Isto porque eles deixaram uma parte considerável do fio parametrizável conforme o uso. Na figura abaixo podemos ver que a estrutura do fio é variável conforme a utilização do tecido. Ele é formado por 40% de fios de plásticos recuperados dos oceanos, 45% de uma fibra natural ou sintética e um corpo principal formado por 15% de um material que dá a estrutura para o fio, podendo ser elastizado ou não. A definição da cobertura e da estrutura varia de acordo com o uso do fio. Assim, no caso do jeans este fio pode ser recoberto por 45% algodão, 40% plástico reciclado e 15% elastano mas, caso seja para um uso mais profissional, o algodão pode ser substituído pelo nylon e o tecido pode ou não ter o centro elastizado.

Imagem extraída do site Bionic Yarn
Nesta imagem dá para entender melhor a composição deste novo fio.


Esta variedade de uso permitirá que toda a indústria da moda possa desenvolver produtos com esta nova tecnologia, ampliando as possibilidades de uso. Mas o primeiro a usar e divulgar isto no mercado será o mundo do jeans e com a sempre incrível G Star (também já falei da importância da G Star para o mundo jeanswear aqui no blog), 

Olha que legal o vídeo mega fofo que Pharrell fez em conjunto com a G Star que explica de uma maneira bem simples como funciona este novo projeto:



Os produtos desenvolvidos com esta nova tecnologia terão a participação do Pharrell Williams na criação e farão parte de uma linha especial chamada RAW for the Oceans. A data de lançamento ainda está um pouquinho longe (15 de agosto de 2014) mas já dá para esperar produtos incríveis como eles sempre conseguem desenvolver :)  

Enquanto isto, podemos acompanhar o desenvolvimento do projeto no website exclusivo lançado há poucos dias pela G Star

O que achei mais legal desta tecnologia é que ela efetivamente ajuda a despoluir o que já está poluído. Normalmente, estas iniciativas visam encontrar formas de gastar menos para produzir algo. Esta visa estimular a limpeza de uma poluição já existente. E com incentivos econômicos, o que pode fazer toda a diferença. Legal, né?! Estou super curioso para conhecer estes produtos!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MUJI e ItoYa, lojas incríveis japonesas

Em Tóquio encontramos lojas de todos os tipos. Nas minhas férias descobri várias e vou falando delas aos poucos aqui no blog. Interior da loja Muji Uma delas eu já conhecia e gostava muito: a MUJI. A primeira vez que conheci a marca foi em Paris em 2008 e fiquei encantado com o conceito da loja :”Produtos sem marca e com qualidade”. Isto significa que eles procuram oferecer ao mercado produtos onde o foco é o design e a qualidade do produto e não cobram caro por isto. É, na verdade, uma espécie de protesto ao consumo excessivo de artigos de luxo, uma realidade que é presente no Japão há muito tempo e que instigou os fundadores da MUJI em criar a empresa para mostrar que não é preciso pagar caro para se ter produtos de qualidade. Muji Yurakucho Muji Ginza Bom, a loja cresceu rapidamente e a MUJI é hoje uma empresa gigante que oferece todo tipo de produto: desde alimentos até móveis, passando, é claro, pela moda. As coleções da MUJI são mais básicas com um design b...

Christopher Shannon, alfaiataria + sportswear na moda masculina

Lendo revistas de moda de fora, sempre acabo vendo nomes de estilistas e marcas que nunca ouvi antes. Estes dias “descobri” um estilista inglês chamado Christopher Shannon que é focado no menswear. Sempre fico feliz quando descubro novos estilistas e marcas na moda masculina porque é sempre difícil achar novidades neste mundo.  Em relação ao Christopher, o que achei mais interessante nas suas coleções é perceber que ele tenta (às vezes consegue, às vezes nem tanto) juntar os mundos da alfaiataria com o sportswear.  Para conseguir isto, ele usa tecidos tecnológicos e estampas exageradas, típicos do sportswear, em cortes mais tradicionais e clássicos. O resultado é uma série de peças interessantes, como camisas com recortes inusitados e estampas contrastantes em uma mesma peça. O que mais gostei é que, mesmo tendo um lado conceitual muito forte, as peças têm um apelo comercial e, é claro, já fiquei com vontade de comprar várias (hehe). É lógi...

Prada e a excelência em criação de conteúdo digital

É interessante perceber como as marcas de luxo abraçaram o mercado digital, especialmente na criação de conteúdo digital de alta qualidade. E a Prada é uma das marcas mais engajadas neste movimento.  Uma das características do mercado de luxo é o aspecto mais aspiracional e hedônico do consumo. O status e a sofisticação presentes no universo das marcas de luxo é alimentado não só por produtos exclusivos, raros, e design únicos, mas também pelas ações de posicionamento das marcas que colocam em evidência um lifestyle repleto de glamour e que conquista a todos os consumidores que admiram e desejam estas marcas.  Quando a criação de vídeos para o mercado digital ganhou força e se tornou presente nos feeds dos consumidores nas redes sociais, as marcas de luxo encontraram uma forma de criar conteúdos e mostrar os seus produtos de uma maneira mais natural, apresentando situações nas quais o seu universo criativo poderia ser expresso livremente. Para isso, contudo, a produção dos víd...