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Filmes e etc.

Geralmente assisto a muitos filmes e raramente comento deles aqui no blog. Acho que vale a pena falar um pouquinho dos últimos que vi.

O que mais chamou a minha atenção foi “O Abismo Prateado” de Karim Aïnouz. Sempre fui fã do diretor por contar, em seus filmes, histórias focadas em um personagem marcante, como em “Madame Satã” e “O Céu de Suely”. A sensação que eu tenho é que ele busca passar para a câmera os sentimentos, medos, inseguranças e percepções deste personagem, na primeira pessoa mesmo, fazendo com que, desta forma, os espectadores se enxerguem e se identifiquem com a mesma intensidade dos personagens da história.

Cena do filme "O Abismo Prateado"

Em “O Abismo Prateado” isto é mais verdade do que nunca. Não tem como não entender o sofrimento, a perda, a falta de compreensão e a desilusão de Violeta (vivida magnificamente bem por Alessandra Negrini) ao receber a notícia do fim de seu casamento de forma tão bruta e irracional. Senti-me perdido, como ela, no começo do filme. Depois senti também o desespero de ver o seu mundo desmoronar, sem explicações ou sentido. Dancei, com ela, a música de Flashdance como forma de libertação. E, no final, percebi que não há nada mais a fazer, senão simplesmente aceitar que as mudanças acontecem e a vida continua. Lindo o filme, lindas as sensações que tive ao assistí-lo. Acho que se este era mesmo o objetivo de Karim, devo dizer que ele fez um trabalho perfeito. Abaixo o trailer do filme:



Outro filme que vi nestes dias foi o “Somos Tão Jovens”, focado no começo da carreira de Renato Russo. Confesso que gostei bastante do filme. Acho que muito pelo fato de gostar muito do trabalho do Renato Russo. Achei que o roteiro foi bem montado e, apesar de não apresentar nenhuma novidade e ser até bem tradicional, mostra a história num ritmo bom e de uma forma poética.

O ator principal parece um pouco afetado no filme, mas lembrando de entrevistas do Renato Russo, acho que ele era meio assim mesmo. Abaixo coloquei o vídeo da famosa entrevista dele na MTV. Ele, como vi nesta entrevista, parece fielmente retratado no filme. Aliás, quem nunca assistiu esta entrevista deveria parar um tempo e ver pois é muito interessante ver como ele era realmente inteligente e especial.



Assisti também “Em Transe” do David Boyle (de Trainspotting). A história é bem interessante, daquelas que dá várias voltas e que tem uma explicação lógica no final. Achei bem divertido e ótimo entretenimento. Mas só! É daqueles filmes que a gente esquece depois de um tempo. Achei um pouco parecido com “A Origem” mas mais racional, lógico.

Em casa, assisti a “Hitchcock” que fala sobre a produção do “Psicose”. O filme é bem divertido e prende a atenção mostrando os bastidores das filmagens. Achei que Anthony Hopkins está meio forçado e estranho. Mas o filme despertou a vontade em assistir ao “Psicose” de verdade e deste filme realmente gostei bastante.

Eu nunca tinha assistido porque não gosto de filmes de suspense e terror. Mas Psicose é ótimo, sobretudo se considerarmos a época em que ele foi feito e todo o tabu que envolveu a sua produção. E, para isto, foi ótimo ter visto “Hitchcock” antes pois contextualiza de maneira única a época na qual foi gravado e lançado o filme, dando uma percepção muito maior da sua importância na história do cinema. Para quem nunca assistiu a “Psicose” recomendo muito que veja “Hitchcock” antes. Dá toda uma graça para o filme! Assim como disse para quem não assistiu ao filme “As Horas” ler o livro “Mrs Dalloway” antes de ver o filme, num post anterior aqui no blog.

Personagem de Psicose

Agora, para finalizar este post sobre filmes e etc, vou falar do etc. A Renata Xu me indicou um desenho para ver e eu simplesmente amei! O “Adventure Time” ou “Hora de Aventura” é um desenho que passa no Cartoon e é impressionante ver uma história tão criativa, com personagens tão malucos e divertidos como neste desenho.

Em primeiro lugar, é muito difícil acreditar que é voltado para crianças, mas, depois de assistir a alguns episódios, percebi que só as crianças mesmo para assistirem a histórias tão malucas e sem lógica sem julgar racionalmente. Acho que, por isto, o desenho faz sucesso entre as crianças. Muito dificilmente o mesmo aconteceria no mundo dos adultos, onde o racional sempre leva a melhor. Enfim, quem puder esquecer um pouco da lógica, pode se divertir assistindo a histórias de um menino de 12 anos e o seu melhor amigo (um cachorro que namora um ser que é metade unicórnio e metade arco--iris, só para se ter uma ideia dos personagens do desenho) que viajam por diversos mundos para viver aventuras de todo o tipo, com o intuito apenas de se divertir. Não, eles não querem vencer ninguém, não têm que derrotar nenhum vilão, nada do tipo. Apenas querem se divertir. E o divertido é ver os problemas mais inusitados que mostram um nonsense supercriativo que poderia servir de inspiração para pensarmos em soluções diferentes no nosso dia a dia. Vale a pena conferir. Abaixo um episódio para dar o gostinho:


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