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O esforço da GAP em limpar o seu rastro no mercado

Como qualquer pessoa que foi adolescente nos anos 90, eu sempre conheci e curti a GAP mas acho que ela foi perdendo a mão desde que grandes redes de fast fashion como UNIQLO e ZARA ganharam o mundo, conquistando o mercado com um produto mais interessante e globalizado.

Mas devo confessar que sempre passo nas lojas quando viajo. Isto porque encontro peças interessantes a preços ótimos em peças básicas com um toque mais cool e fashion (super amo a coleção LIVEDIN ;) ).

Mas resolvi escrever sobre a GAP pois descobri uma coisa muito interessante sobre a empresa. Desde 2007 eles vêm investindo em projetos que visam melhorar a vida das pessoas que trabalham nas fábricas que produzem as suas roupas. O projeto principal deles se chama PACE e é focado na mulher destes países que, muitas vezes, são culturalmente discriminadas e estão em uma realidade onde encontrar uma vida melhor parece um sonho distante.

Participantes do programa P.A.C.E


O PACE (Personal Advance & Career Enhancement - avanço pessoal e melhoria na carreira) oferece às mulheres que trabalham nas fábricas de roupas fornecedoras da GAP módulos de treinamento que as ajudam a entender melhor o seu potencial como mulher e como trabalhadora, aprendendo como se comunicar melhor, planejar sua vida, sua carreira e seu dinheiro. Ao todo são 9 módulos de treinamento: Comunicação, Resolução de Problemas e Conflitos, Educação Financeira, Educação Funcional, Gerenciamento do Tempo, Excelência em Execução, Direitos Trabalhistas, Saúde e Reprodução e Papéis dos Gêneros no dia a dia.

Parecem assuntos simples mas vale lembrar que estes treinamentos são oferecidos às mulheres que moram na Índia, Cambodja, China, Indonesia e Sri Lanka (países "Made In" da maioria das roupas do fast fashion), lugares onde a maioria das mulheres tem acesso super restrito à educação e, devido à pressão social, não sabem se posicionar e se valorizar como ser humano na sociedade. O vídeo abaixo conta como o programa impacta a rotina de uma mulher participante do programa:



O ICRW (International Center for Research on Women) estudou o impacto do programa nestes países e relatou melhoria significativa na auto-estima, eficiência pessoal e no trabalho e influência no trabalho em todos os países onde o PACE foi realizado. Coisas simples como aprender a guardar dinheiro para morar em uma casa melhor, comunicar as suas dificuldades e dúvidas para a empresa onde trabalha e até pedir ao marido para dividir as tarefas de casa são ganhos relatados pelas participantes do programa que, com as informações que tiveram no treinamento, ganharam a segurança para realizar estas mudanças em sua vida. Ao todo, mais de 25 mil mulheres já participaram do programa. E o número tende a aumentar.



Além disto, no final do ano passado a GAP lançou um novo programa chamado TAU com o objetivo de proporcionar uma cadeia de suprimentos de roupas mais sustentável. A ideia é investir em empresas que possam crescer de forma sustentável e produzir com preços atrativos, respeitando o meio-ambiente e as pessoas. O projeto ainda está no início mas pode realmente ser um sucesso, se conseguir equalizar o investimento no crescimento de empresas sérias no setor com o tratamento de questões socio ambientais que precisam, urgentemente, ser tratadas nos países onde estas empresas estão inseridas. O diagrama abaixo apresenta a filosofia desta nova empreitada da GAP:

Como a própria filosofia da TAU destaca, é uma mudança inevitável e muitos críticos podem dizer que a GAP "não está fazendo mais do que a própria obrigação" e, uns mais ácidos ainda, dirão que "eles estão fazendo Marketing em cima de ações que são obrigatórias para resolver os problemas necessários para manter a sua cadeia de suprimentos de baixo custo e evitarem partir para uma solução de fornecimento mais custosa do que a que têm hoje" mas prefiro enxergar como uma ação proativa da empresa que traz para hoje um problema futuro e, com isto, espera construir um futuro melhor onde estes pontos terão um melhor tratamento.

Além disto, estes problemas que a GAP está tratando com estes projetos são comuns a todas as redes de grande varejo em todo o mundo (basta olhar o MADE IN das roupas e ver o impacto que estes países têm na nossa vida) e achei bem interessante ver que a GAP já está tratando destas questões. É importante que o primeiro passo seja dado por um líder de mercado como eles. E é um sinal de que eles estão mais preparados do que eu esperava para ser o líder do varejo de roupas.

Mudanças na cadeia produtiva têxtil são realmente inevitáveis e projetos como este deverão surgir em todo o mundo num futuro próximo. Resta saber quem será que vai iniciar estes passos no Brasil? Será que teremos que esperar a GAP agir por aqui também? Espero que não!






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